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terça-feira, 9 de abril de 2013

Brasil: 317 pacientes morreram após prescrições de médica



A Polícia Científica do estado brasileiro do Paraná, no sul do país, confirmou – através de um relatório técnico baseado na análise de 346 prontuários médicos de pessoas que morreram desde 2006 no Hospital Evangélico de Curitiba, a capital do estado –  que 317 desses pacientes morreram logo após terem recebido medicamentos prescritos pela médica Virgínia Soares de Souza.

A doutora está a ser acusada de antecipar a morte de pacientes internados pelo serviço público de saúde para dar as vagas a pacientes particulares, cujo internamento rende muito mais aos hospitais.
Todos estes pacientes estavam internados em estado grave na Unidade de Tratamento Intensivo, UTI, chefiada por Virgínia Soares de Souza, apesar de não possuir a especialização necessária ao cargo, segundo informou a polícia do Paraná.
Para a Polícia Científica, não há dúvida de que os pacientes faleceram pouco tempo depois de receberem as medicações, o que resta apurar é se essas substâncias provocaram ou apressaram as mortes, ou se essas pessoas acabariam por morrer de qualquer forma dado o seu estado.

A médica chegou a ficar um mês presa, mas foi libertada e aguarda agora a tramitação do processo em liberdade.

O advogado já veio a público afirmar que a constatação da Polícia Científica não prova nada contra a sua cliente que, segundo ele, é totalmente inocente e está a ser vítima de vingança de pessoas a quem contrariou ou demitiu do hospital.

Desde a eclosão do escândalo, no início do ano, ex-funcionários do hospital contaram à polícia que Virgínia Soares de Souza comandava a UTI com mão de ferro e que mandava desligar respiradouros e outros equipamentos que mantinham os pacientes vivos, para conseguir vagas.

Uma paciente que teve esses aparelhos desligados e sobreviveu – porque uma enfermeira percebeu e, após a saída da médica, voltou a ligá-los – narrou à polícia que Virgínia, ao cortar-lhe o oxigéneo, afirmou,“quero ver se ela aguenta até à tarde”.

Além da médica-chefe da UTI, outras sete pessoas são acusadas de participação nos crimes e já foram incriminadas.

O Hospital Evangélico tem defendido Virgínia e já tentou afastar os responsáveis pela investigação, negando que alguma irregularidade tenha sido praticada, muito menos visando o lucro.


Fonte: Correio da manhã

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